Marinheiro marinheiro, se soubesses bem pra onde ia remar, será que teria te atrevido a se meter no aquário ?
Daquela vez o marinheiro saiu, mas saiu sozinho, pensou firme, com a mente mais firme do quando se segura o leme em tempos de tempestade: Pra onde iria sozinho se sua barcaça era para dois ?Não quis saber, estava decidido a de alguma forma fazer aquele barco andar e chegarem ao destino.
Era sol, estava brilhando, e o cilma era doce, fazendo todos quererem mover-se a pés dançantes.
Mas o clima dentro do barco não estava pra isso, de longe se entendia que estavam ilhados. Como chegar na terra dos frutos abundantes e sol o dia todo, em uma barcaça, se não se sabe nem pra onde guiar? Era verdade... Fazia um bom tempo que não se alimentavam direito,dentro do barco desde a tempestade dos ventos de abril pareciam estar pisando em ovos dentro do barco. Os ventos não sopravam a sabor da vela, mas isso não impediu que tivessem desistido de chegar lá. Na verdade a crise não era mais culpa do mau tempo dos que não sabiam navegar, mais sim daqueles navegadores que agora se encontravam ilhados e não sabiam mais como encontrar o caminho de chegada. A volta não era mais opção, suscitaria o fracasso. Desde antes de embarcarem para essa viagem tinham decidido que era tudo ou nada.
E muitos estavam apostando neles, eram os melhores velejadores da região, eram as meninas dos olhos para todos! -Quanto entrosamento!Quanta habilidade na hora de velejarem juntos!- Diziam os pescadores daquela antiga ilhota. Na verdade tanto quanto aprenderam juntos de velejar, aprenderam quando ainda remavam, sozinhos, ou se atreviam a pequenas aventuras em barcos de dois. Comandavam nas boas e más marés. ou pelo menos tinham pensado que sim, e toda essa pressão externa era o que talvez estivesse pesando muito na sua decisão agora. Não interessava. o momento era o mais crítico de todos.
Que importava agora era coisa séria. Será que ele via que para o outro marinheiro, aquela viagem parecia estar perdendo o sentido? Talvez até o maior medo dele fosse esse, ouvir do outro marinheiro que a viagem agora não tinha mais sentido. Era como se tudo fosse a perder, mas eles não tinham culpa, não pode haver viagem se não há um sentido, um motivo para se chegar em algum canto. O fato é que ele estava de mãos atadas, não podia fazer nada para mudar a opinião do outro marinheiro a não ser mostrar- lhe, que tudo que já tinham trilhado até ali, fazia valer lutar por qualquer destino. E quanto ao confuso marinheiro, realmente parece que aquelas tempestades do mar de abril tinham confundido a cabeça dele.
O fato é: que agora o mar estava calmo e eles iam precisar resolver isso. precisavam se reencontrar como parceiros de causa, o barco não podia ficar parado. doía de mais aos dois, ver o tão longe que tinham chegado com a embarcação, e no meio do caminho perderem a direção total.
Então para por um fim o marinheiro tinha decidido que queria mais do que tudo seguir aquela viagem. Como se não tivessem sentido nada, como se todas as turbulências que tivessem passado, apenas fossem ondinhas que os fizessem se tornar mais fortes, a ilha dos sonhos era coisa séria, e se dependesse dele estaria lá amanha nem que fosse a sopro. Não se conformava que as coisas estivessem ruins ele sabia que podia mudar, ele sabia que era ele que tinha que fazer mudar...
Mas num barco ninguém faz a diferença sozinho,afinal o destino é para dois, e desse barco ele só saia para morrer afogado. Vamos confiar que é possível chegar a ilha marinheiro ?
...
"Vós que governais as águas, derramai por sobre a humanidade a vossa proteção, fazendo assim Divina Mãe, uma descarga em seus corpos materiais, limpando suas almas e incutindo em seus corações o respeito e a veneração devida a essa força da natureza que simbolizais.
Fluidificai nossos espíritos e despertai nossa matéria de todas as impurezas que hajam adquirido. Permiti que vossas falanges nos protejam e amparem, assim o fazendo com toda a humanidade, nossa irmã.
Salve Iemanjá, Rainha dos mares."
Mais do que me atreveria!
