Quantos pertubados já tentaram me conheçer:

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O Cômodo proibido





E novamente estavam aqueles três sentados no sofá da sala conversando sobre si:
Ela, ele e o amor.

As coisas que construíram para si, e o real império que circundava toda a mansão já não era coisa pouca, era digna de admiração e inspiração e exemplo. Lindo como um jardim florido, coberto por duas rosas vermelhas e alguns tantos hipotéticos girassóis, a mansão estava sempre coberta por flores, podiam até ficar um pouco murchinhas às vezes por causa da falta de atenção do mocinho e da mocinha que andavam sempre ocupados com a rotina, mas o amor, que vivia em casa não perdia seu tempo e logo tratava de rega-las deixando-as lindas como deveriam sempre ser por natureza.

Na sala de recepção já tinham trazido os melhores amigos e de mais nobres corações, os dele agora eram deles e os dela, deles também. E os laços os tinham aproximado como se fosse plano deles unir todos por um só, quem sabe até uma causa mais nobre do que pudessem imaginar.
Na sala de estar, um teto pintado com uma mandala enorme do qual reciprocamente tinham escolhido que era mais bela por entra as belas e no meio um lustre todo cheio de pedrinhas que Ele dizia serem mágicas. Com um enorme sofá branco, todo almofadado e com direito até a cobertor, que mais parecia uma cama de solteiro, já tinham compartilhado de suas melhores histórias, e conversas do cotidiano. Também na sala havia uma televisão que mais parecia um imã, fazia com que eles ficassem como diz o velho matuto - Tudo encangado no ôto - e Sempre muito atenciosos, até do recíproco almoço de cada um, tinham interesse em saber. E pobre do amor! Ah amor! Como era risonho e espaçoso naquele sofá o travesso, fazia o sofá parecer pequeno para aqueles três que mal se cabiam de tanto afeto.

Nos corredores da casa e nas belas paredes em diversos tons de azuis e madeiras, lindas fotos enquadradas daqueles passeios e daqueles paparizzis que adoravam fazer daquele trio o mais belo de todos da história.
Sabiam até de cor a ordem com que pessoalmente colocavam as fotos naqueles álbuns.
Andando um pouco mais pela mansão e tornando-se um pouco mais íntimo para adentrar certos locais, no banheiro se descobria que apesar de anti-higiênico dividiam a mesma escova e achavam aquilo motivo de riso por culpar aquilo ao desleixo mútuo.

Na cozinha tinham se divertido a beça, mal sabiam que os quitutes que tanto tinham saído dali de fato tinham os deixado mais gordinhos. O amor reclamava inocentemente sempre de barriga cheia pedindo para que o fizessem dos melhores doces do mundo. E eram realmente bem servidos com os mais bem dedicados momentos de carinho e vontade de ver um sorriso de barriga cheia que eram feitos. Lembrado os fatos em que a mocinha após comer  todo seu quitute, sem nenhuma piedade aproveitava e como num ato de loba dava um bote e roubava com a própria boca deliciosas trufas da mão do moço que ingenuamente acreditava estar podendo se gabar de estar com a última bolacha do pacote.

Na mesa de jantar, uma imensa mesa redonda de vidro com roldana para passar as comidas sem muitas dificuldades, que nem aquelas de reality show, já tinham dado boas gargalhas reunindo os familiares, os amigos para experimentar as tantas maravilhas que a vida encarnada pode oferecer em forma de alimentação. Dispensado os estabanamentos do mocinho e da mocinha que às vezes teimavam em derrubar copos dos outros, quebrar porta-guardanapos, derrubar sucos ou coisas do gênero que eram sempre seguidas de boas risadas e uma famosa frase coralmente pronunciada:
-Como você é desastrado!

Andando um pouco mais nos cômodos daquela mansão se via no closet que as coisas tinham mudado um pouco para os dois:
Ela agora mais confiante de si, aderia a vestidos longos que tornavam todo vistoso o belo corpo curvilíneo da mocinha, ele tomado por opiniões controversas cortara sua tradicional juba que não mais sintonizava com seu modo de viver e matinha seu cabelo ultimamente curto.
Um pouco mais realizada, também aderiu a mocinha um sapato daqueles bem clássicos, um Oxford, apesar do pouco uso já que seu All Star branco mais parecia secador de macarrão por tantos discretos buracos.

Nos corredores que davam para os quartos já tinham experimentado muito bem a pés descalços e torsos desnudos, o friozinho de um ventinho a praiana e o calor de um bom abraço, percorrendo curtos caminhos que pareciam intermináveis a cego, apenas com a vontade de se olharem profundamente.

Porem de todos os espaços na casa o único que depois de todo esse tempo não parecia ser de três era, o quarto.
Confusão maior não havia numa casa feita totalmente para três, apenas um morador ter vontade entrar num cômodo feito para os três. O mocinho era o único que tinha vontade de entrar e ficar por lá. Mal conheciam com clareza de um lar essa parte que existia da casa deles. Certa vez até entraram os três, estavam empolgadíssimos, o amor se deliciava jogado no braço dos dois enquanto a mocinha e o mocinho com o amor nos braços apenas sentiam um enorme frio na barriga por saber que estavam fazendo ingênuas promessas, que quebradas não seriam de tão mal assim. Saiam de uma festa no bairro que viria a ser o que é hoje o império e entraram lá os três com o maior clima de proibido, Sem acender luzes, sem fazer barulhos, sem pisar forte para não acordar os vizinhos, fecharam a porta com o seu ruidoso ranger de madeira e trancaram para lá saber como seria estar lá.
Deitaram-se na cama sem titubear e entre carinhos e aconchegos materiais se sentiram mais conectados como nunca tinham estado em todos os momentos juntos. Nesse dia o mocinho descobriu que contar estrelas era mais divertido do que se imaginava e ainda hoje repousa em sua imaginação todas as que viu naquela noite. Ali, passaram uma noite, uma incrível noite em que as horas passaram e o amanhecer chegava sem ser convidada  para acabar com a felicidade daqueles três, não se nega que foi uma das lembranças mais felizes que os três tiveram juntos, mas a única naquele quarto.

Depois de lá naquele passado mais ou menos recente que olhado por eles, mas parece uma questão de meses, nunca mais o amor e a mocinha quiseram entrar lá novamente. O amor algumas vezes até teve vontade de entrar junto com o mocinho, devido a seu enorme contingente de argumentos e discursos dizendo que o amor e ele entrando, a mocinha também sentiria vontade de entrar, mas não entrou, já que o quarto sem os três não era nada. O mocinho idem, não entraria sozinho, e a mocinha por motivos que só ela sabe bem, não sente vontade de entrar. E hoje, a contragosto da mocinha e do amor, o que mais dói é a sensação de impotência que o mocinho sente por ver os dois sem vontade nenhuma de estar com ele naquele cômodo que deveria ser o mais especial por entre todos da mansão.


Os três sabem muito bem do valor de toda a mansão e sabem mais ainda que o maior problema deles aqui  é na verdade a única solução para esse clima péssimo, que fica toda vez que passam na frente daquele cômodo na casa. O Cômodo proibido.

Na mansão não cabe efemeridades, apenas os três: Ela, ele e o amor.

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