Museu: Uma
instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e do seu
desenvolvimento, aberta ao público e que adquire, conserva, investiga, difunde
e expõe os testemunhos materiais do homem e de seu entorno, para educação e
deleite da sociedade.
O que será que pensa Da Vinci ao ver a Monalisa em um
museu ? Será a sua intenção ? ver a sua maior obra, fadada a um museu, aos
olhos e julgamentos dos outros ? Dignos de admiração claro... Mas teria sido
isso o que se ele esperava que fosse acontecer com A Gioconda ?
Julho já se passava, e junto
com ele havia trazido um inverno parcialmente rigoroso, e uma febril sede de
mudança, transformação, e desapropriação de velhas rotinas. Inevitavelmente, aquela que era mansão, dos
quintais floridos, corredores de engraçadas fotos, e salas abarrotadas de bons
amigos contadores de histórias; tinha se tornado algo muito diferente do
imaginado. Até o vento pairando sobre o espaço era algo diferente, embaraçoso, travado como clima de sala de pediatra : Cheiroso, calmo e repleto de crianças
acanhadas com a sua atual situação.
Assim que os dois haviam saído
de lá passaram ainda, um breve tempo a vagarem entre idas e vindas naquela que
lhes era a linda moradia. Não tardou, mas essas idas e vindas lhes custaram
mais do que podiam proporcionar, e logo foram suspensas por ordem maior. A
maneira como conviviam ali não estava fazendo bem a ninguém. Seria destrato a
mansão ficar daquela maneira, ainda mais com aquele que mais que os dois era
por direito morador dali : O amor. Mas dele falaremos um pouco depois...
A vida do moço tinha se tornado
uma verdadeira jornada em busca do rumo dos seus talentos.
Dos seus olhos de energia, minavam agora uma chama em
busca do que sonhava , e já se sentia palpando um pouco de cada coisa
brevemente em suas mãos, como se a imaginação, fosse o primeiro campo fértil
das realizações. Do seu pós migração, fala-se que ele tornou-se uma pessoa mais fechada não
menos extrovertida, apenas mais reflexiva. Talvez aqueles tantos peixes e
aquários de alguma forma tenham lhe ensinado a não morrer pela boca. Em seu
novo espaço, preferia ficar calado e omitir opiniões a respeito, para não ficar
de malfazejo fazendo comparações com a mansão.
A moça, se sabia que tomou um
rumo distante daquela mansão. Sacudiu as lembranças num relicário e como sino
de paz guardou-o em sua carteira a sete chaves. Instantes após isso, pouco se
ficou sabendo sobre ela. Sair daquela situação lhe foi até um pouco mais
complicada, pelo imenso sentimento de culpa e leve remorso que lhe auto impunha
sobre os ombros. Mas nada que boas companhias a pudessem reabilitar. Ordeira e
dedicada seguiu sua rotina a risca como sempre fazia no trato além mansão.
Sabe-se por fim, que agora ela habitava em uma linda casa iluminada pelo sol
poente, no cume de uma montanha, ao qual distante ela todo dia antes de colocar
sua cabeça no travesseiro, fitava da janela a mansão.
E o que dizer daquele que
depois do furacão, depois da implosão, depois do alvoroço, depois do choro, depois do silêncio e depois até do tempo
permaneceu ali ?
Que dizer do amor ?
Sem dúvidas ele foi o que mais sofreu com tudo aquilo,
sua relação com aqueles dois era de extrema dependência, a mansão podia até envelhecer, mas pouco
importava, lá estaria o Amor firme e forte os esperando de braços abertos como
sempre. E por um bom tempo ele lá ainda permaneceu, de braços abertos, olhando
de soslaio pelo enorme vitral da sala, para aquela bela estradinha que fazia
rota direta para a mansão. Em vão. Já era tarde demais para ver naquela estação
e nas muitas outras que viriam os dois vindo de mão dadas. Dias e dias olhando
aquele vitral sem nenhum sinal que o alimentasse de esperanças, a não ser o de
sua intuição.
Vendo o humilde enorme
estofado encher de poeira, as primeiras teias surgindo por entre as fotos, os
primeiros piscos do lustre que fugaz estava começando agora a piscar, E sem
nenhum sinal da volta dos dois, ele se viu numa única decisão para não dar fim
a mansão:
Fazer dela um museu. Não qualquer museu, mas um
verdadeiro espaço de convívio humano que pudesse manter de alguma forma viva as
lembranças daqueles tempos áureos. E firme em sua decisão, bloqueou apenas
alguns espaços que cabiam apenas de circulação dele, e tornou público, para que
o mundo pudesse ver, que de alguma forma ali habitava o sentimento mais belo
que o homem pode conhecer. Fez da mansão o museu e dela tornou-se guia. Os dois distantes dela, nada faziam, apenas olhavam tudo aquilo se tornando o museu.
Multidões frequentavam espantadas aquele
espaço; em busca de respostas sobre como que uma mansão perfeita daquela fizera
dois dos moradores simplesmente partirem sem muitas explicações.
Como se sair de uma
casa pedisse explicações para alguém mais além dos moradores.
Do alto da montanha e dos murmúrios do império, os dois
nada podiam fazer. Não agora.
E como história
desenvolvida em prosa de gramática, aquela não era digna de “ ponto” propriamente
dito, e sim de “reticências” daquelas bem robustas que chamam mais atenção do
que o texto inteiro. 3 pontos muito bem dados.
3 metros acima do
céu.
P.S: O que são três
metros acima do céu para quem já conheceu as galáxias ?

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