Para acompanhar a leitura
Numa ilha muito distante, em um tempo longínquo, onde as únicas perspectivas de ter uma vida diferente e fora da monotonia de um povo campestre, desbravar o grande mar era a única solução para os que procuravam mais aventura em suas vidas...
E como sempre ao início da primavera, como de costume algumas embarcações tomavam destino sempre as terras grandes e novidades do momento do outro lado do mapa... E dentro dessas embarcações histórias e sonhos do mais diversos eram carregados rumo a terra grande.
A história que venho lhes contar não é de fino trato, mas é uma bela história de lealdade apesar das adversidades que a vida pode lhes trazer...
A menina criada em trato fino, de rosto suave e sorriso encantador, sempre foi tida como o sol de sua casa. Batalhadora nata, as pessoas sempre souberem que a menina ia longe, e por mais que a estimassem nas estrelas a menina por humildade os falava apenas do céu, embora soubesse que realmente estava destinada as estrelas. De dentro de sua família por mais sol que fosse, estava com uma profunda sensação de sufocada, e por causa disso, viu que tomar um ar e se experienciar pelas maravilhas do outro lado do mapa seriam realmente o melhor destino dela. Então, deixando de lado e evidenciando-se como grande disposta a aproveitar ao máximo as maravilhas do outro lado, recebeu todo tipo de talento que com muito zelo lhe foi dado pela mãe em todos os instantes de sua educação, despediu-se de seu tórrido e intenso romance e partiu para o grande mar.
O homem, era um jovem, vindo do que poderia ser chamado hoje de boêmia, estava cansado de uma terra pequena e com pensamentos pequenos, apesar de sua altura um pouco acima da média era mais conhecido pelo tamanho dos seus sonhos os quais as vezes eram vistos como sem sentido . Vindo de família tradicional naquele pequeno pedaço de terra, possuir as boas coisas nunca tinha sido preocupação para ele, e segundo fofocas de dentro da ilha, estava se mudando porquê não queria mesmo era nada com a vida. Coitados.
Uma semana se passara a aquele barco que bem comportava mais de 400 pessoas, estava tão abarrotado de pessoas, que algumas delas ainda não tinham nem se visto. E o cenário do encontro daqueles dois foi mais ou menos assim: Estava ela, recém saída do refeitório, muito bem acomodada no deck tomando um sol, enquanto de uma mesa muito barulhenta se levanta um jovem e vem caminhando em sua direção com um sorriso amarelo, ela já estava com a conversa pronta para falar do namorado ao possível vigésimo sexto homem do navio que iria corteja-la. E então surpreendida com o jovem ela recebe uma pergunta que lhe surpreende todas as expectativas:
-Que livro é esse que você está lendo?
Parecia até surreal mas ele a tinha convencido a querer conversar, visto que durante essa uma semana ela estava sendo vista como 'aquela-menina-que-não-fala-com-nenhum-homem' da embarcação. E seguiram por todo o longo da tarde conversando sobre livros, vida e histórias do imaginativo.
O tempo das outras 5 semanas que passaram dentro da embarcação foi profundamente intensa e bem preenchida de 'nós dois vamos'. Passaram a conversar alem dos livros e divertidas precoces histórias da boêmia do jovem, e então começaram a compartilhar de suas histórias, seus desejos, confidencialidades, sonhos, e o quanto eram preocupados um com o outro apesar da garota ter um jeito muito peculiar de expressar sua preocupação. Ela, era cercada de carinho por ele e sabia o quanto ele era importante para ela. E ele a tinha no coração já com um carinho imenso. E durante o processo que fez os dois se aproximarem, muitos até o viram com maus olhos vindo do fato dela ter um namorado na ilha enquanto ficava falando e sendo tão próxima assim de um menino, só que eles não enxergavam que ali, dentro da relação eles não se viam como companheiros, mas como família. Como verdadeiros irmãos um para o outro.
E então o tão esperado grande outro lado do mapa chegou. As terras eram grandes, enormes! E tudo plantando se colhia. Eles sabiam do desafio que teriam pela frente e até os seus sonhos eram muito diferentes: Enquanto o menino ia pra descobrir o mundo de lá, a menina ia para se descobrir do lado de lá. Eles sabiam que estariam sendo desafiados dia-a-dia, principalmente agora em manter a amizade, visto que enquanto o menino estaria o tempo todo viajando ao longo das terras longínquas a menina estaria em uma endereço fixo, escrevendo postais para seus familiares e dedicando-se aos seus estudos.
No começo foi tudo muito estranho, passar um dia sem se ver era quase uma sensação de membro perdido. Mas aos poucos foram entendendo que tinham mais do que uma presença muito agradável um ao outro, mas que tinham laços invisíveis. Todo mês ao menos uma vez eles se encontravam, nem que fossem para jogar conversa fora, ou para contar das novidades um do outro. Ele sempre serelepe contando das suas novas descobertas e do quanto que se surpreendia com a natureza ao longo dos campos por onde encontrava, e ela contando do quanto se descobria a cada dia e do quanto que a rotina lhe surpreendia. A verdade é que eram bem diferentes mesmo, até na personalidade, mas bem se entendiam.
Então o tempo que tão bem apura sabores como embolora naturalidade também não perdoou aquela amizade. Fez da menina uma cabeça-dura que só veio ser revelada ao longo dos tempos, e o menino um tremendo teimoso e curioso, detalhes das personalidades as quais os dois sabiam muito bem que tinham mas que apenas se intensificaram e ficaram menos aceitáveis ao longo do tempo.
E isso fez com que os dois de certa forma criassem chateações um com o outro e esquecessem um pouco o quanto são importantes em par. Os desejos dos dois em manter aquela amizade era grande, mas movidos a orgulho e esquecimentos, os dois deixaram a triste da amizade em cacos. Responsabilidade dupla, maior de certa forma do menino que no meio de todas as suas viagens e ocupações não mais lhe mandava os postais de 'terras distantes', e a menina que entristecida e magoada com os esquecimentos não fazia questão de lembrar-lo o quanto estava sumido, apenas o resmungava aos outros, o quão impiedoso o menino era para com ela esquecendo aquela que tinha sido a pessoa mais fiel e importante companheira dele durante a grande viagem para terras desconhecidas.
Então o mesmo sábio que não perdoa nos emboloramentos e esquecimentos, tem um primo chamado nostalgia. Um lindo primo que é mais doce do que o mais doce dos bombons comprado nas confeitarias da ilha saudosa. E uma porção desse açúcar é capaz de conceder forças suficientes para renovar os ânimos até do mais descrente dos humanos.
E do alto de uma montanha, atrasado mas conectado, ele percebeu que a ligação que tinham, que os laços invisíveis que ali existiam tinha sido feitos com um propósito e que esse propósito não podia ser deixado de lado, era algo maior do que eles poderiam medir e o tempo não poderia ser vilão e sim mocinho dessa história. Então foi o mais rápido que pode até o litoral das grandes terras, naquela casinha bem simples e com todo coração aberto levar o mais doce dos sentimentos embalado em um profundo pedido de desculpas.
Na frente da porta, um olhar cabisbaixo e um coração sincero, acompanhado de um humilde sorriso no rosto:
Eu te amo.
Feliz aniversário atrasado!

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